No meio da Idade Média

Sir Mikael, o medíocre.

Era o que se lia no crachá falso que a equipe do laboratório, na nave espacial, preparou como piada interna. O cronograma não previa viagens à Idade Média, e parte da ironia residia aí.

O corpo humano, claro, não resistiria a uma viagem no tempo porque esta teria que ser feita na velocidade da luz. A resposta, então, seriam os buracos de minhoca. Minha equipe ainda estava em fase experimental em relação a isso, mas os resultados eram promissores. Cálculos complexos realizados pelos processadores tanto da nave espacial quanto da base na Terra vasculhavam o espaço à procura desses buracos, com avançados sensores.

Rompemos o princípio de proteção cronológica da natureza. O buraco de minhoca estava diante de nossa nave, e eu, dentro da cabine na cápsula, a ser desacoplada da nave, que me permitiria entrar no buraco.

Alisei a manga de meu inchado e pesado uniforme de astronauta. Observei minha equipe uma última vez, dei um adeus acenando com a mão. Pelo vidro espesso, não podiam me ouvir.

Um estampido enunciou a desacoplagem de minha cabine, e flutuei pelo espaço. O abismo escuro engoliu as estrelas diante de meus olhos, como se eu estivesse diante de uma explosão. Perdi a consciência, e despertei no meio de uma florestal, dentro da cápsula, que deixou um arrebatador rastro de destruição pelo solo por onde se arrastou. Soltei-me dos cintos e saí do módulo.

Livrei-me de meus trajes, e cobri o módulo com uma película translúcida, tecnologia exclusiva de minha equipe, para camuflar, ao menos ao longe, minha presença do futuro. Acionei a película com a alavanca de emergência, dentro da cabine, e segui pela floresta.

As ordens eram claras: eu não podia chamar atenção durante uma viagem no tempo. As implicações práticas e filosóficas ainda estavam sendo estudadas.

Encontrei uma carroça seguindo pelo trilho aberto dentro da floresta e me escondi entre as árvores. Talvez estivessem indo à cidade mais próxima, então decidi segui-los. Alguns camponeses me observavam, com vestidos que cobriam as mulheres da cabeça aos pés, que carregavam cestas com frutas ou roupas lavadas em algum corpo d'água da região.

Duzentos metros depois, um homem de barba grenha, imundo e ruivo, convulsionando, caminhava com dificuldade, e todos por quem passava se afastavam dele. As mãos e pés estavam escuros e gemia de dor sem parar. Às vezes voltava as mãos aos céus, mas faltavam-lhe forças até para particular palavras. Parecia acometido pela peste bubônica.

Idade Média. Só podia ser. Não era para eu ter voltado tão longe. Mas eu só poderia voltar após a cápsula se recarregar com energia solar e ter energia suficiente para o empuxo que me jogaria de volta no buraco de minhoca e me faria voltar para casa.

À medida que eu me aproximava da vila, a imundície era assustadora. Ratos corriam livres por entre as casas, e ruminantes circulavam como animais de estimação. Logo meus sapatos ficaram cobertos de barro, e as moscas cobriam meu rosto.

Se a peste daquele homem fosse pneumônica, eu poeria já estar infectado, já que esta era transmitida pelo ar. Algunsd homens, com pesados capuzes pretos e máscaras brancas com bicos grandes e sinistros faziam prescrições com raízes para os que tinham dinheiro para eles.

Antes das missões, aulas de história foram incluídas no preparo dos astronautas, para quando encontrassem buracos de minhoca.

As pessoas me olhavam assustadas na vila. As mulheres se recolhiam para as casas e os homens desviavam o olhar enquanto carregavam bezerros e cavalos, com carroças carregadas de trigo.

Ao aproximar-me da igreja, percebi que os padres poderiam inflamar a população e me hostilizar, culpando-me por doenças ou desastres naturais. Escondi-me no começo do bosque, logo atrás de um feudo próximo. Mas fui surpreendido por um javali, que atacou minha perna e me deixou ali, encolhido no chão, gemendo de dor. Um casal me viu, do outro lado da cerca, apreensivos, como que decidindo se deviam ou não me ajudar.

— Me ajudem, por favor — Pedi. Minha perna incharia em breve.

— Vamos lá, o senhor foi pra cidade, não precisa saber.

— Cala a boca, mulher! — Berrou o homem; estendeu a mão gigante sobre ela, ao ar, e ela se encolheu toda, em silêncio. Parecia grávida.

Àquela altura, joguei a parte de cima do uniforme atrás de um arbusto, para não chamar a atenção nem assustar os locais. O homem veio em minha direção, arrancou uns galhos no meio do caminho e supus que ia preparar uma tala com a parte de cima do uniforme.

— Nunca vi esse material antes — O homem olhou assombrado para o tecido que tentei em vão esconder, sentindo-o com as pontas dos dedos — Venha, tem uma fonte aqui perto.

— Não dá. Tá doendo muito.

— Dizem que cura pernas quebradas.

Soltei-me do braço dele, mancando.

— Tá maluco? Me ajuda a rasgar o tecido, fazer uma tala...

— Tala... o que é isso, forasteiro?

— Ah, uma tala... — Sem graça, improvisei — É um tecido que descobriram nas Américas, não conhece?

— O senhor conhece a América? — O homem perguntou, estupefato — Mas o que faz aqui?

— Eu... vim visitar um amigo doente.

— Então é melhor partir. Ela... ela chegou. — Olhou para os dois lados, como se a palavra fosse amaldiçoada.

— A peste?

Levou a mão e o indicador aos lábios, e chiou na hora.

— Meu irmão... ele não tinha dinheiro para as indulgências, e foi punido. Vai morrer em breve.

— É aquele homem manco, de barba ruiva, que eu vi na entrada da vila?

Ouvimos passos em meio às folhas do bosque, e o homem correu para voltar ao feudo. Implorei:

— Não me deixe aqui! Não consigo andar sozinho.

— Meu senhor... ele vai me expulsar. Não! Os germanos, vão pegar a gente, vão... violar minha mulher!

Hesitei, me arrependendo imediatamente daquilo, mas era questão de vida ou morte; eu seria alvo fácil de animais silvestres se permanecesse ali.

— Eu posso curar seu irmão!

O fiz me prometer que voltaria para me pegar depois, e ele disse que o irmão me procuraria. Eu tinha antibióticos de emergência em minha mochila, escondida em um arbusto, e treinamento básico para diagnosticar e tratar doenças simples como aquela. Ele concordou com a cabeça e voltou às pressas para o feudo.

A mulher ainda grávida... a pressão do senhor feudal para a família aumentar devia ser enorme. A servidão era transmitida de pai para filho.

Apesar de ter analgésicos na mochila, eu precisava sair logo dali. Dormi um sono sobressaltado, que só veio após a dor constante me derrotar. Ao amanhecer, os primeiros raios de sol, filtrados pelos galhos das árvores, chegaram a meus olhos, e a horripilante figura que eu vira ontem, caminhando como um leproso, estava agora diante de mim, agachado, a vinte metros de mim, como se eu fosse um bruxo.

Ressabiado, ele não disse nada. Falei:

— Você vai melhorar. Sob uma condição: não conte a ninguém.

Balançou a cabeça, enfático. Conforme eu ganhava a confiança dele e conduzia meu tratamento, mandando-o jogar fora todo o lixo presente na casa, lavar as mãos todo dia e tomar os comprimidos diariamente comigo, me explicou porque o irmão estava tão apreensivo. O senhor feudal dele aumentara os impostos novamente, e foi espancado pelo senhor quando este não teve dinheiro para o imposto da mão morte. Me explicou que, após herdar a servidão do pai, quando este morreu, o irmão tinha que pagar ainda mais este imposto, para continuar servindo ao mesmo senhor.

— Deus está me punindo... — Lamentava o homem diante de mim.

Fui ouvindo aqueles lamúrias por uns dois dias, e quando ele foi ficando mais disposto, notando melhora na saúde, riu sozinho, atropelando as sílabas com os poucos dentes que lhe restavam, quando se lembrou de ter sido largado para morrer sozinho na estrada.

Levou-me à casa do irmão, apesar dos riscos de o senhor nos flagrar, e me ajudou, com minhas instruções, a preparar uma tala e compressas quentes para a febre que me acometia. Minha perna parecia de outro corpo, de tão inchada. O interior da casa era úmido, exposto ao vento, fumacento e escuro. Me perguntei por um instante se eu estaria melhor ficando na floresta.

Ouvi ratos correndo pelos caibros do telhado e tive certeza de que seria o próximo a contrair peste negra se não saísse dali. O colchão de palha espinhento me torturava. Logo o homem outrora moribundo foi embora sem se despedir, quando dormi.

Quando o irmão dele e a esposa voltaram, acordeu sobressaltado. O fogo da lareira estava quase extinto, e amulher foi revolver as cinzas. Olhou furiosa para mim, os olhos embargaram, mas não soltou uma lágrima, de seu rosto severo, e ordenou:

— Vá embora hoje à noite, forasteiro. Não nos traga mais problemas.

— Isso são modos com as visitas, mulher? O Vincent tá sendo curado por esse feiticeiro.

Os dois se encararam, mas mesmo tremendo, ela não arredou pé. Era realmente perigoso eu continuar ali, perguntaram se eu conseguia andar, e quando respondi que ainda estava mancando, o homem, cheirando a álcool, teve uma ideia:

— Mulher, a carroça ainda tá lá fora?

Ela confirmou em silêncio com a cabeça. O homem espiou a propriedade pela porta de madeira da casa, saiu sozino, levantou um punhado de feno e me mandou entrar na carroça, escondido. Não pestanejei. Seguiu até o celeiro, deu de comer aos animais para ninguém estranhar, e me deixou na entrada da vila.

Desceu e, enquanto procurava lenha para a lareira, comentou comigo:

— Aquele bêbado maldito do meu irmão... ele te colocou na cama do nosso filho.

— O que aconteceu com ele? — Perguntei, quase engasgando com o feno enquanto me limpava ao andar.

— Demos nosso primogênito ao mosteiro. Como presente. Minha mulher ainda não se acostumou.

Olhei estarrecido para ele e logo desviei o olhar. Despedi-me dele em silêncio e segui bosque adentro.


Peguei meu smartphone, longe dos olhares humanos, e gravei um diário de bordo relatando tudo. Os efeitos colaterais pouco significativos no organismo e o imprevisto da perna machucada. Dormi com fome pelo terceiro dia.

Acordei tarde. Pela altura do sol, talvez umas dez da manhça. Com as baterias quase todas descarregadas dos dispositivos, eu tinha que confiar no sol, agora. Vincent veio esbaforido até mim, agachou-se sem ar, apoiou as mãos noe joelhos, e me disse:

— Te procurei por toda parte, forasteiro. Fuja! Fuja hoje mesmo. A Inquisição... ela vai te pegar!

Com verdadeiro terror nos olhos, embrenhou-se pelo bisque e desapareceu.

Decidi voltar para a nave, na esperança de que estivesse com carga suficiente para eu voltar. Os cardos espinhosos arranhavam e às vezes penetravam em meu calcanhar e panturrilha, mas continuei correndo. Se Vincent estivesse certo, me achariam logo. Não tive condições de reunir artefatos para trazer de volta, ou sequer saber se sobreviveriam à viagem de volta, mas o importante era sobreviv...

Poc!

Um homem me empurrou para a frente, escondido atrás de uma árvore, e o outro me deu um soco no rosto que me fez cair no chão. Pegaram minha mochila e foram embora. Ladrões. Tudo que eu não precisava agora.

Ainda caído no chão, uns quinze minutos depois, reunindo ar, me recuperando do chute que deram em minha costela, guardas. Caminhando em minha direção. Carregavam Vincent, que chorava, e me olhou em agonia, movendo a cabeça para que eu me retirasse dali.

— Espere, já volto — Um guarda avisou ao outro. — Ei, você! — Gritou em minha direção, empunhando sua lança.

Foi em vão eu correr. Tropecei em pedras, não conseguia retomar velocidade suficiente para fugir dele, e logo fui pego.

— Devia ter fugido, feiticeiro. Achou mesmo que não te encontraríamos? A vida toda só fala de você...

Vincent foi arrastado primeiro, me olhou envergonhado, como se tentasse se desculpar, mas sem forças para balbuciar, depois dos sopapos que levou dos guardas. O milagre de estar se curando... ou ele não conseguiu se segurar e contou a todos, ou todos notaram a milagrosa cura e o pressionaram até falar de mim.

Manipulação de substâncias, como as dos comprimidos que dei a Vincent, era considerado feitiçaria pela igreja. No fundo eu sabia, mas eu estava em uma posição impossível. Uns quinze minutos depois, cheguei à carroça, a mesma que eu vira, ao chegar à vila. Era usada para carregar as vítimas da Inquisição. Mulheres, bruxas, judeus e um homem do futuro.

Posicionei minha mão no canivete que eu carregava no bolso para cortar gravetos e outras tarefas de sobrevivência. Mas o que acontecia ao se matar pessoas durante uma viagem no tempo? Dentro da carroça, carregados como bois, olhei para Vincent, resignado a seu destino. Mostrei a ponta da faca, os outros em silêncio cúmplice, e alguns se acotovelaram mais para perto, como que dispostos a pedir para que eu pusesse termo à vida deles.

— Não, isso não: os tormentos eternos te esperam, forasteiro. Se você tentar. — Disse a mulher ruiva.

— Somos hereges, e não ladrões — Reprimiu o judeu.

— Vão cortar suas mãos, te enterrar sem honras. Sua família será humilhada — Insistia a mulher.

Respirei fundo e pensei, indeciso, no que fazer. Foi quando uma teoria maluca me passou pela cabeça. Quer dizer, não tão absurda. A equipe havia aventado essa possibilidade, mas era tão metafísica que virou tabu entre os cientistas; sequer publicávamos artigos sobre isso. Temíamos a reação da igreja, ou no mínimo sermos ridicularizados pela comunidade científica.

Olhei para todos na carroça, e ninguém ousou pegar o canivete suíço que estendi. Vincent me olhou, pegou-o e disse:

— Você salvou minha vida, forasteiro. É assim que quer que eu agradeça? Te matando? O que Deus vai...

— Vamos deixar Deus fora disso — Respondi, e apoiei minha mão de leve sobre a dele, já segurando o canivete. Vincent fechou os olhos, apertou o canivete com força até a mão inchar, me abraçou com um braço e enfiou o canivete em meu peito com o outro.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhnnnnnnnnnnnggggggg... gllllooooooo.... gllooooooooeeee... ooooooooo...

Arrancou o canivete a um só golpe, e descartou-o no trecho da floresta que compreendia o caminho até o tribunal. O cocheiro não se dignificou a ver o que causava a comoção. Todos me olharam como que admirando minha coragem, por mais que não admitissem.

Ajoelhei-me, senti a dor tomando meu corpo, meus músculos se contraindo, o ar vindo com mais dificuldade e meus pulmões.

Mas a morte não veio.

A dor empurrava a consciência em meu cérebro ao limite, mas prestes a ceder à dor e sentir a perda das funções motoras, nada aconteceu. Sentir o fim exigia um sexto sentido que meu cérebro não conseguia encontrar. Fiquei caído no assoalho imundo da carroça, todos ao meu redor, se pressionando para longe de mim.

Por fim, a carroça chegou e alguns foram detidos ou levados direto ao tribunal, de acordo com o que a farsa de cada julgamento determinava. Mas, ao notarem que tentei me matar, os guardas me levaram, sob os gritos dos padres, direto para a fogueira.

Com gritos e palavras odiosas, explicaram porque minha condenação era severa e o fogo do inferno me esperava. Amarrado à estaca de madeira, aguardei meu auto-de-fé e ignorei, ao me perguntarem, se eu queria abandonar a heresia que eu pregava. Acenderam a fogueira sob mim, observei os rostos fascinados em observar as chamas derreterem minha pele e arrancarem os gritos mais agudos. Pouco a pouco, as chamas arrancaram o corpo de minha alma, e sentia um desligamento de qualquer resquício de individualidade ou dignidade. As chamas me coisificaram.

E, mesmo assim, a morte não chegava.

Meus ossos começaram a ficar aparentes, e os esforços de minhas pálpebras para evitar o assédio das chamas seria em vão em pouco tempo. Pela primeira vez, eu me remexi: era o único sentido que não queria perder estando vivo. Comecei a gritar, e as pessoas continuavam a se deleitar naquele espetáculo público assombroso, aquela impactante espetacularização do sofrimento, a única catarse possível, para muitos, da toda a raiva que carregavam dentro de si.

De repente, ouvi um som que eu não sabia se apenas eu podia ouvir, já que ninguém mais percebeu nada. Começou grave e foi tornando-se agudo até culminar em uma explosão que gerou um zumbido ensurdecedor em minha orelha direita, ainda não consumida pelo fogo. Um estampido. E tudo ao meu redor se dissolveu, como que descendo por um funil ou vórtice invisível.

Apaguei.

Acordei na cápsula, diante de olhares frustrados de minha equipe de cientistas, na nave. Acharam que eu nunca havia ido? Eu havia voltado. Mas como? Eu estava tão longe da cápsula. Do monitor atrás deles, meus batimentos ficaram abaixo de 40, abriram a cápsula imediatamente e prestaram os primeiros socorros com um desfibrilador.

Enquanto desferiam as descargas elétricas para me reanimar, tive certeza: a cápsula era inútil para acessar o buraco de minhoca. Só servia para meu corpo não se desintegrar no espaço sideral até eu conseguir passar pelo buraco.

Com o olho com, que as chamas não conseguiram consumir, observei em transe a equipe me levando para o ambulatório. Após algumas horas de repouso, despertei com gritos desesperados, sentindo o fogo consumir meu corpo, e meus órgãos internos violados pelo canivete suíço. Mesmo dias depois, voltando a caminhar sozinho, às vezes caía sozinho, como se as chamas tivessem consumido todos os meus músculos. A equipe periciou meus diários de bordo e informações dos dispositivos que levei comigo. Não conseguiam explicar o que aconteceu comigo, apesar do valor histórico e científico de todo aquele material.

Seria possível ser imortal se, teoricamente, um buraco de minhoca pudesse ser mantido aberto para sempre? Coincidência ou não, vi o físico mais religioso da equipe bater boca feio, do outro lado da parede de vidro espessa do ambulatório, com o resto da equipe. Arrumou uma barra de ferro e tentou destruir a cápsula, mas foi contido pelos outros cientistas e amarrado a um uniforme espacial, improvisado como camisa-de-força.

Eu saíra da Idade Média, mas ela não saíra de mim: todas as dores de meu corpo me davam a sensação de que eu não voltara de verdade. Apenas uma casca de mim estava ali, sofrendo dores de uma época que não correspondia a ela.

O físico religioso perdeu a fé dele, mas eu perdi o passado e o futuro. Era tudo apenas uma coisa para mim, agora. Não havia mais livre-arbítrio. Com ou sem tecnologia, era tudo apenas uma viagem sem bússola.

Agora eu era menos humano.


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